O caso Kant

Este artigo foi publicado na revista Permanência, # 286. Originalmente, o texto foi elaborado como uma palestra dada a um grupo de amigos católicos em março de 2017.
O objetivo desta conversa é apresentar um tema central do pensamento de Kant: as “formas da sensibilidade” que, na Crítica da Razão Pura, são abordadas na Estética Transcendental – “estética” aqui com o sentido de “gnosiologia” ou “teoria do conhecimento”.
Uma mínima compreensão desses conceitos decisivos do kantismo é essencial para entendermos os rumos do Modernismo – especialmente do que Dom Lourenço Fleichman chamou de “subjetivismo moderno” – e o quanto ele é incompatível com o Catolicismo, em geral, e com o tomismo, em particular.
Nossa conversa se dividirá em três partes.
Na primeira, vamos pensar juntos sobre o modo como pensamos, num exercício do que podemos chamar de “gnosiologia natural”.
Na segunda, veremos como Aristóteles e São Tomás sistematizaram essa “gnosiologia natural”.
E na terceira, veremos o quanto e como Kant se afasta dessa concepção, numa inversão que ele chamou “copernicana”, em referência a Copérnico, e que nós bem poderíamos chamar de demoníaca, por conta de tudo o que será perdido.

Continue reading →

A falsidade da incerteza

Qual a sua opinião sobre o fato de muitos cientistas aceitarem a interpretação de Copenhague (7) para a Mecânica Quântica?

Essa interpretação é uma falácia. Baseia-se na premissa de que se uma ação intermediária não pode ser medida com exatidão, então não pode produzir-se com exatidão. É uma falácia porque na primeira parte da premissa a palavra exatidão é usada em sentido operacional, e na segunda parte é usada em sentido ontológico. Isso é errôneo, porque os dois campos não se relacionam.
Continue reading →