A ilusão progressista

Li o texto que vai abaixo no perfil aberto de uma pessoa que apenas sigo (e portanto simpatizo e respeito) sem que sejamos de fato amigos (nem na vida real nem aqui no FB).

“Qualquer teoria, pensamento ou tese que parta da ideia que os mitos (qualquer mitologia) ‘tem um fundo de verdade’ e são ‘originais das civilizações que os criaram’ é farsa, e sendo farsa, jamais conseguirá dar cabo de uma análise verdadeira. Sabe a mulher que é concebida por um deus e dá a luz a um deus-homem? Pois é, já existe desde a civilização Hittita. Vários mitos gregos são releituras de mitos anteriores, vários mitos de línguas indo-européias são versões diferentes de uma única versão recontada diferentemente de acordo com a língua e o povo dessa versão.”

Acho perfeitamente plausível que a ideia da Encarnação do Verbo já estivesse presente em outras culturas espalhadas no tempo e no espaço como “promessa” ou “expectativa profética”, e não como mera repetição ou adaptação de algum mito que uma cultura qualquer criou e outras acharam simṕático repetir e adaptar.

Os homens já esperavam o Advento e a presença dos Reis Magos no nascimento de Jesus é a imagem dessa expectativa imemorial.

Mais interessante é que essa hipótese nem sequer ocorra ao rapaz, que é um acadêmico respeitável. Talvez a conceba sobrenatural demais, isto é, tributária de uma concepção de tempo que a física já incorporou em parte, mas que as ciências humanas ainda sentem dificuldade em compreender, padecentes que são da “ilusão progressista” – tão característica do finado século 19 (que a misericórdia de Deus o alcance), e encarnada especialmente nas figuras de Hegel e Comte – ainda presente no século 21 por conta da sobrevida do marxismo moribundo.