Em defesa de Leon Bloy

De Daniel Fernandes no Facebook:

Léon Bloy gostava de jogar com os paradoxos e as contradições. Não era tomista. Era escritor. Romancista. Quem disse que Bloy foi satanista disse bobagem. Bloy não confundia Lúcifer com o Espírito Santo.

Esclareço aos senhores: na visão do escritor, a humanidade atual decaiu tão profundante, desceu a um nível tão baixo, que transformou o Espírito Santo num inimigo. A humanidade se ajoelhou tão alegremente aos pés de Satanás, desejou tanto estar ao seu lado, que agora, o próprio Deus – tem a aparência do Adversário.

Quem troca as bolas é a humanidade decaída. Bloy sabia disso.

O condenado é um homem que rejeita de forma odiosa a Verdade. Rejeita o Espírito Santo. Neste caminho que leva à condenação, o sujeito percebe o amor divino apenas como o seu inverso. O amor de Deus tem para ele o rosto do inferno, mas isso não quer dizer que o amor se confunda literalmente com o inferno, e que o Espírito Santo se confunda literalmente com Lúcifer. Ambos parecem inseparáveis apenas na medida em que a condenação das massas atinge tal densidade de abjeção que, para quase todos, a Santa Face de Deus tornou-se a figura infame do Inferno.

Assim, finalmente, a situação descrita por Bloy nas últimas linhas do livro “A Salvação pelos Judeus”, significa apenas que o Espírito Santo, aos olhos da humanidade decaída, é idêntico a este Lúcifer, chamado Príncipe das Trevas.

Na visão de Bloy, o homem, afinal, não se contenta em persistir na perseguição diária a Cristo, mas a cada dia que passa, encontra muitas maneiras de perseguir e insultar grosseiramente, o próprio Espírito Santo. É a humanidade decaída que inverte as coisas e troca o mal pelo bem e o bem pelo mal.

Marcel Proust declarava que o estilo “é – como a cor nos pintores – uma qualidade da visão, a revelação de um universo particular que cada um de nós vê e que não vêem os outros.” Então, se uma pessoa não conhece o estilo do escritor, é melhor que não dê palpites.

Quem tem uma relação inquisitorial com a literatura romanesca, não está apto a julgá-la com justiça. Neste âmbito, o afã de caçar hereges não pode ser maior do que a busca sincera da compreensão.

Parem de frescuras!


De O Camponês no Facebook:

Li todos os artigos sobre Léon Bloy publicados na Revista A Ordem, de 1929 a 1979, li todos os estudos e artigos sobre o autor, publicados no caderno Letras & Artes, no Diário de Notícias e no Jornal do Dia.

Li ensaios e artigos de Alcântara Silveira, Gustavo Corção, Augusto Frederico Schmidt, Octávio de Faria, Pe. Teófanes de Barros, Marcos Konder Reis, Antônio Carlos Villaça e dezenas de outros escritos por integrantes do Centro Dom Vital.

Li mais de uma dezena de artigos de autores estrangeiros publicados n´A Ordem, artigos de André Billy, Pierre Descaves, Jacques Madaule e mais alguns outros.

Toda essa geração deve ter sido uma geração de homens analfabetos, incultos e ingênuos, incapazes de perceber o luciferismo de Léon Bloy. Coitadinhos! A nossa geração de católicos é que é boa, mal começou e já tem pleno conhecimento de um autor absolutamente esquecido e com apenas duas ou três obras em circulação. É conhecimento infuso.

Pessoal, tá pegando mal!

O próprio Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro foi refúgio de inteligências abeberadas em Léon Bloy, Huysmans, Claudel, Mauriac, Bernanos, Julien Green, Charles Du Bos, Newman, Chesterton…

Se continuarem assim, deixarão um legado vergonhoso.

Tentem ao menos superar a geração dos filhos do Cardeal Leme. Se vocês não conseguem ler direito um romancista, como é que eu vou acreditar que serão capazes de me explicar a Suma?


Os dois textos se referem a esta tolice.