A importância de Aristóteles

Qual é a importância de Aristóteles? Olha, não quero exagerar, então me expressarei do seguinte modo:

Abandonar o aristotelismo, como fizeram os fundadores da filosofia moderna, foi simplesmente o maior equívoco de toda a história do pensamento ocidental.

Mais do que qualquer outro fator intelectual – há outros fatores também, é claro, alguns que não são intelectuais e alguns que são mais importantes –, este abandono contribuiu para a crise civilizacional pela qual o Ocidente passa há vários séculos e que se acelerou enormemente no último século.

Ele está implicado:

  • na desintegração da confiança na possibilidade de justificar racionalmente a moralidade e a crença religiosa;
  • na suposição generalizada de que a descrição científica da natureza humana implica que o livre arbítrio é uma ilusão;
  • na crença de que existe um “problema mente-corpo” cuja única solução respeitável filosófica e cientificamente é alguma versão do materialismo;
  • na proliferação de várias vertentes de relativismo e de irracionalismo e ainda de cientificismo e de hiper-racionalismo;
  • no corrosivo ceticismo do mundo moderno a respeito da legitimidade de qualquer autoridade e no individualismo e no coletivismo radicais que se seguiram ao despertar dele;
  • e na despersonalização intelectual e prática do homem que tudo isso implicou e que, por sua vez, levou a massacres em massa em uma escala sem paralelos na história humana.

Suas implicações lógicas também podem ser observadas nas manchetes contemporâneas:

  • na carnificina de milhões e milhões de bebês nascituros pela indústria do aborto;
  • (…) na promoção da eutanásia de maneira geral;
  • no debate em grande medida sem sentido e em toda a medida no sentido errado entre os defensores do darwinismo e os defensores do “design inteligente”;
  • no movimento em favor do “casamento entre pessoas do mesmo sexo”
  • na revolução sexual em geral;
  • e em milhares de outras coisas mais.”

Esse trecho do livro A Última Superstição: Uma Refutação do Neoateísmo. de Edward Feser oferece um resumo panorâmico, rápido e preciso do desastre que significou para o pensamento ocidental – e portanto, universal – o abandono dos princípios aristotélico-tomistas.

Feser é um filósofo americano formado na tradição analítica, cuja honestidade intelectual o levou primeiro a perceber a inconsistência das conclusões da filosofia moderna, e em seguida, por consequência lógica, a admitir sua falta de princípios. Dito de outro modo, uma filosofia literalmente sem pé nem cabeça, que flutua no ar como um truque de mágica. Engenhosa, mas falsa.

Essa “desilusão’ o conduziu aos clássicos, notadamente a São Tomás de Aquino, cuja obra teve sobre Feser o efeito de uma Revelação: ele não só se tornou tomista mas também católico.

Portanto, o elogio à Aristóteles deve ser entendido também como um elogio a São Tomás, em particular, e ao tomismo em geral.

A precedência de Aristóteles é mais cronológica do que intelectual: não haveria São Tomás sem Aristóteles, é certo; mas sem São Tomás o mais provável é que Aristóteles no Ocidente nunca chegasse a ser mais do que um aluno arabizado de Platão.