Vida contemplativa

“O contemplativo não é um homem que se senta de pernas cruzadas embaixo de uma árvore e edifica apenas a si mesmo ao obter a resposta de problemas essenciais e espirituais.

O contemplativo é alguém que procura conhecer o sentido da vida, não apenas com a cabeça, mas com todo o seu ser, vivendo em profundidade e na pureza para se unir à própria Fonte da Vida, uma Fonte infinitamente presente e por isso tão real que não pode ser contida numa palavra ou num conceito, ou em  um nome atribuído pelo homem. Pois a palavra humana tende a enquadrar as realidades que expressa para poder expressá-las. E tudo o que pode ser enquadrado não pode ser o infinito que se apresenta ao contemplativo, sem palavras e sem a mediação precisa do pensamento analítico.

Podemos então dizer que a contemplação é a percepção intuitiva da vida em sua Fonte, Fonte que é Aquele que revelou a Si mesmo como o inominável ‘Eu sou’, e depois, de novo, fez a Si mesmo conhecer como Homem na pessoa do Cristo.

A contemplação é a experiência de Deus no Homem, de Deus no mundo, de Deus em Cristo. É a obscura intuição de Deus em Si mesmo, e essa intuição é um dom de Deus, que Se revela em Seu próprio ocultamento como O Desconhecido.”

Thomas Merton, “Poetry and Contemplation: a reappraisal”.