O mundo como idéia

“Qualquer que seja o apelido que a ‘dama ideia’ tenha, poderá ser vermelha, preta ou azul… onde não estiver o cristianismo tudo pode ser reduzido a ela. O cristianismo é este chamado à relação responsável homem a homem, do homem-Deus rumo ao homem, do Filho de Maria, que um dia nasceu e morava numa rua tal e que portanto não posso reduzir a uma ideia. Onde não houver esta relação fundamental com o fato humano fundamental, o Filho que saiu do ventre de Maria, a ‘dama ideia’ volta a dar o show dela. Veja esta Universidade Católica, para transformá-la naquilo que fizeram, precisou primeiro esvaziar o cristianismo de seu conteúdo, reduzindo-o a uma ótima ideia (vamos lutar para os pobres, vamos resolver as coisas etc…), assim a universidade se torna uma instituição. Para isso é preciso que desapareça tudo o que cheire a humanidade pura, eliminar Maria e os santos, desta forma Deus, o Deus Trinitário, fica lá no céu. Para que a ‘dama ideia’ possa dar as cartas é necessário esvaziar o cristianismo de conteúdo e deixá-lo no reino do conhecimento. O cristianismo seria a milésima ideia que a Humanidade não pôs em prática. Não se trata mais dessa ‘inexorável positividade do real’ que se me impõe e que impõe o outro. Assim é possível substituir a presença inevitável e opaca do outro com um receituário”.
Bruno Tolentino

O caso Kant

Este artigo foi publicado na revista Permanência, # 286. Originalmente, o texto foi elaborado como uma palestra dada a um grupo de amigos católicos em março de 2017.
O objetivo desta conversa é apresentar um tema central do pensamento de Kant: as “formas da sensibilidade” que, na Crítica da Razão Pura, são abordadas na Estética Transcendental – “estética” aqui com o sentido de “gnosiologia” ou “teoria do conhecimento”.
Uma mínima compreensão desses conceitos decisivos do kantismo é essencial para entendermos os rumos do Modernismo – especialmente do que Dom Lourenço Fleichman chamou de “subjetivismo moderno” – e o quanto ele é incompatível com o Catolicismo, em geral, e com o tomismo, em particular.
Nossa conversa se dividirá em três partes.
Na primeira, vamos pensar juntos sobre o modo como pensamos, num exercício do que podemos chamar de “gnosiologia natural”.
Na segunda, veremos como Aristóteles e São Tomás sistematizaram essa “gnosiologia natural”.
E na terceira, veremos o quanto e como Kant se afasta dessa concepção, numa inversão que ele chamou “copernicana”, em referência a Copérnico, e que nós bem poderíamos chamar de demoníaca, por conta de tudo o que será perdido.

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A falsidade da incerteza

Qual a sua opinião sobre o fato de muitos cientistas aceitarem a interpretação de Copenhague (7) para a Mecânica Quântica?

Essa interpretação é uma falácia. Baseia-se na premissa de que se uma ação intermediária não pode ser medida com exatidão, então não pode produzir-se com exatidão. É uma falácia porque na primeira parte da premissa a palavra exatidão é usada em sentido operacional, e na segunda parte é usada em sentido ontológico. Isso é errôneo, porque os dois campos não se relacionam.
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Sobre os transcendentais

“Though he doesn’t put it this way, what Polanyi is pointing out here is that modern scientists are implicitly committed to the reality of truth as truth is understood within the doctrine of the transcendentals – that is to say, to truth conceived of as being or reality in its relation to an intellect. The reason they prefer terms like “simplicity” and “economy” is that they tend also to be committed to the assumption that intellect is a highly derivative phenomenon – a mere byproduct of evolutionary history that appears very late in the game as it were – and thus ought not to enter into our characterization of reality at the most fundamental level. And the trouble is that when this reference to the intellect is deleted, it is no longer clear why simplicity and the like ought to be criteria of theory choice.
Keats was right to say that “beauty is truth, truth beauty,” but wrong to follow up this claim with the further assertion that “that is all ye know on earth, and all ye need to know.” For we do need to know something else – namely the traditional, Scholastic metaphysics that makes the first claim intelligible.”
Edward Feser (texto completo)

Da sabedoria ordinária

“Não há força maior que encontrar nos pontos mais essenciais, em toda a sua luz, as afirmações mais comuns da humanidade. Elas permanecem como fórmulas vãs e banais se não saem do fundo de nós mesmos como se fôssemos nós mesmos quem as tivesse inventado. Deve parecer-nos, ao mesmo tempo, que nós sempre as soubemos e que as encontramos pela primeira vez. Mas é estéril começar por tomá-las de fora acreditando que é possível em seguida reavivá-las dando-lhes uma espécie de calor emprestado.”
Louis Lavelle,  Regras para a vida cotidiana